Quais fatores determinam a escolha da ponta ideal para diferentes culturas?
Atualizado: 15 de set.

A escolha da ponta de pulverização é uma das decisões mais estratégicas para o sucesso da aplicação de produtos fitossanitários, sendo fundamental para garantir eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas.
O sucesso das aplicações está diretamente relacionado ao estudo das relações entre o tipo de alvo a ser atingido, a forma de ação do produto fitossanitário e a técnica adotada para a aplicação. A tecnologia de aplicação é conceituada como o emprego de todos os conhecimentos científicos que proporcionem a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade necessária, de forma econômica e com mínimo de contaminação de outras áreas.
“um problema bem definido é um problema meio resolvido"
Para a recomendação mais assertiva das pontas de pulverização, devemos responder três perguntas básicas para entender o cenário em que a aplicação será feita. O que? Onde? Quando? Dessa forma teremos uma maior clareza de como fazer essa aplicação.
O quê? essa pergunta define nosso alvo, será feita uma aplicação de fungicida para controlar alguma doença, herbicida para controle de plantas daninhas ou inseticida para controle de pragas? Além dos produtos biológicos, fertilizantes foliares e os aplicados no solo.
Onde? Aqui entendemos onde esse produto precisa chegar se é no solo, na folha, no terço inferior da planta, no sulco de plantio, etc.
Quando? Podemos definir de duas formas, em que estádio fenológico aquela planta se encontra, ou em que momento do dia estamos aplicando, com atenção especial às condições climáticas.
A partir dessas perguntas e respostas, teremos maior clareza do problema e com certeza maior assertividade na hora de fazer uma recomendação.

Caracterização do Alvo e Suas Particularidades
A definição precisa do alvo biológico constitui o primeiro passo para uma seleção assertiva. Deve-se considerar o tipo de alvo , seja uma planta daninha, praga ou doença e suas características específicas de localização na cultura. Para pragas e doenças que se concentram no terço médio e inferior do dossel, recomenda-se a que a aplicação dos fungicidas ou inseticidas sejam feitas com pontas que produzem gotas mais finas, com melhor capacidade de penetração. Estas pontas têm classificação de gotas finas, como BD, MGA, BX-AP, AD, ADGA, entre outras ou médias como CH100, ST, ST DUPLO, AS7030, entre outras. Além disso, pontas como ST, ST Duplo, já contam com design em que o jato de pulverização tem inclinação ou “ângulo de ataque” que também melhoram a penetração no dossel da cultura.
Por outro lado, para o controle de plantas daninhas com a aplicação de herbicidas, pontas que produzem gotas mais grossas, como AD-IA, ST-IA, MUG, MUG-SI, MUG-CV, entre outras, são preferíveis, pois oferecem menor risco de deriva e tem cobertura adequada para herbicidas sistêmicos.
Mobilidade do produto
A mobilidade do produto fitossanitário na planta está diretamente relacionada à cobertura necessária para uma aplicação eficiente. Produtos de contato apresentam pouca ou nenhuma movimentação após a deposição e, por isso, dependem de uma cobertura mais uniforme e abrangente, aumentando a probabilidade de atingir o alvo. Já os produtos sistêmicos possuem capacidade de absorção e translocação no interior da planta, permitindo maior flexibilidade na cobertura, embora uma boa deposição continue sendo fundamental para garantir a absorção e o desempenho. Dessa forma, quanto menor a mobilidade do produto, maior tende a ser a necessidade de cobertura e uniformidade da pulverização, enquanto produtos com maior mobilidade podem apresentar maior tolerância à distribuição da deposição sobre o alvo.
Uma abordagem mais adequada ao tratar da relação entre cobertura e mobilidade do produto é utilizar o conceito de cobertura adequada. Essa avaliação deve ser feita, principalmente, de forma qualitativa, e não apenas quantitativa. Ou seja, ao avaliar a cobertura proporcionada pela pulverização, é mais apropriado considerar se as gotas proporcionam maior ou menor cobertura sobre o alvo, em vez de classificá-la simplesmente como “melhor” ou “pior”. A qualidade da cobertura está diretamente relacionada às características e à mobilidade do produto, de modo que uma determinada cobertura pode ser mais ou menos adequada dependendo do produto e do objetivo da aplicação.

Conhecimento da Cultura
O conhecimento das características da cultura é fundamental para otimizar a aplicação. A densidade foliar, estádio de desenvolvimento e arquitetura do dossel influenciam diretamente na escolha da ponta adequada. Culturas com dossel mais denso exigem pontas que proporcionem melhor penetração.
Condições Climáticas
As condições favoráveis para a aplicação são amplamente difundidas e nem sempre são um desafio na escolha correta das pontas de pulverização, contudo é nas condições adversas de aplicação que os conhecimentos são colocados à prova, pois nem sempre é possível realizar a aplicação nas condições ideais.
Entender a interação entre as condições ambientais no momento da aplicação e o líquido pulverizado, é fundamental para saber o que fazer ou qual ponta escolher no momento. Os principais pontos a serem observados são temperatura, umidade e velocidade do vento, que impactam diretamente na evaporação das gotas e deriva.

Em condições climáticas desfavoráveis com ventos fortes (>10km/h), quanto maior for a gota, menores são as chances dela ser carregada para longe do alvo no momento da aplicação. Além disso, estratégias como ajuste de altura da barra diminuem os riscos de deriva, manter a barra na menor altura recomendada, sem comprometer a sobreposição e a uniformidade do jato, diminui a distância entre a ponta e o alvo. Com isso, reduz-se o tempo em que as gotas ficam expostas ao vento e aumenta-se a possibilidade de deposição no local desejado.
Por outro lado, ausência de vento ou ventos muito fracos, abaixo de aproximadamente 3 km/h, também exigem atenção. Essa condição pode indicar a ocorrência de inversão térmica, situação em que uma camada de ar mais quente fica sobre uma camada de ar mais frio próxima ao solo. Nesses momentos, há pouca mistura vertical do ar e gotas finas podem permanecer suspensas, formando uma “nuvem” de pulverização que pode se deslocar por longas distâncias quando o vento volta a aparecer. Inversões são mais comuns no final da tarde, à noite e no início da manhã, especialmente com céu limpo e ambiente calmo.
Em condições em que temos temperatura muito alta e umidade baixa, as gotas tendem a evaporar mais rápido, dessa forma, gotas que possuam maior volume de água terão menor taxa de evaporação, dessa forma trabalhar com gotas mais grossas é essencial nesse cenário.
O balanço entre eficiência, cobertura e segurança da aplicação é uma linha tênue e para que seja escolhida a ponta que esteja dentro das características mais adequadas para pulverização, ter mais opções disponíveis na fazenda ou instaladas no pulverizador é essencial.

Escolha da vazão
Após definir o modelo, de acordo com a aplicação, é necessário escolher a vazão correta, que determina a quantidade de calda aplicada por minuto. A escolha da vazão depende da taxa de aplicação desejada, velocidade de trabalho e espaçamento entre bicos.
Para selecionar a ponta correta, utiliza-se a fórmula:

Ao encontrar a vazão desejada, busque no catálogo da Magnojet, a ponta que além das características necessárias para aplicação possui a vazão encontrada.
Lembre-se de evitar pressões extremas: pressões muito baixas podem comprometer o padrão do jato, enquanto pressões muito altas reduzem o tamanho das gotas e a vida útil do equipamento.
A seleção adequada de pontas de pulverização é resultado de uma análise técnica abrangente que considera múltiplos fatores interconectados: o alvo biológico e suas características específicas, as propriedades da cultura e do produto fitossanitário, as condições ambientais, as especificações técnicas das pontas e os aspectos econômicos envolvidos.
Não existe uma solução universal, mas sim a combinação otimizada para cada cenário específico, baseada em critérios científicos e práticos validados. A compreensão das relações entre tamanho de gotas, cobertura do alvo, risco de deriva e eficiência biológica é fundamental para maximizar os resultados.
A evolução contínua da tecnologia de aplicação, combinada com sistemas de padronização e materiais de alta durabilidade, oferece aos produtores ferramentas cada vez mais eficientes e sustentáveis. A implementação de práticas baseadas em evidências científicas, aliada ao monitoramento constante das condições operacionais, representa o caminho para uma agricultura mais produtiva e ambientalmente responsável.
O investimento em pontas de qualidade, a capacitação técnica adequada e o respeito às condições ambientais ideais são elementos essenciais para otimizar a aplicação de produtos fitossanitários e garantir o sucesso sustentável da atividade agrícola.
Sobre o autor

Dr. Flavio Silva
Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com graduação dupla pela University of Wisconsin – River Falls (EUA). Possui mestrado e doutorado em Agronomia, na área de Proteção de Plantas, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), com foco específico em tecnologia de aplicação de produtos fitossanitários.




Comentários